O sintoma inicial é um só: indisposição para ir a lugares com muita gente, o que invariavelmente faz da pessoa uma caseira convicta.
Com o tempo, essa indisposição meio que caleja, passa a ser algo normal, inerente à pessoa. Passando para este estágio, traz inúmeros efeitos colaterais. A dificuldade na socialização é o principal deles; é estranho dizer isso, mas a pessoa parece perder o jeito de se relacionar.
Não é como andar de bicicleta, é mais, bem mais complexo que isso. E esse bloqueio vale para todos os graus do relacionamento inter-humano, desde cumprimentos cordiais a desconhecidos, até o mais sublime dos sentimentos, o amor.
Na seqüência, vem uma preguiça besta, acompanhada de mudanças de humor. Ora feliz, ora melancólico, o termômetro do estado de espírito fica louco, oscilando constantemente. Parece-me que quanto maior o isolamento do cidadão, mais o ponteiro tende à tristeza, enfim.
Há uma coisa boa nisso tudo: uma dedicação exagerada à determinada coisa, que a partir de então, é feita com extremo esmero e excelência. Às vezes nem tanto assim, mas a intenção de quem sofre de anti-socialidade é sempre a melhor possível.
Antes que faça julgamentos equivocados, o antisocial, em regra, não é chato, nem maluco, muito menos bobo. Esses rótulos nada têm a ver com o fato da anti-socialidade, são coisas paralelas. Da mesma maneira que há os extrovertidos inconvenientes e os legais, existem antisociais chatos e bacanas.
Acho que antisocial se dá bem com antisocial. Ou pelo menos com pessoas que tenham resquícios de anti-socialidade em sua personalidade.
domingo, agosto 06, 2006
9:59 PM - Sintomas de antisocialidade (Rodrigo Ghedin)
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