Há alguns dias, eu fui a uma festa de uns amigos meus. E lá aconteceram duas coisas que me deixaram surpreso. Duas pessoas, para ser mais exato. De um lado, estava eu quieto no meu canto quando uma menina que eu conhecia de vista, mas com quem eu nunca havia conversado, começa a puxar conversa comigo como se conhecesse a algum tempo e como se tivesse assuntos em comum, como se houvesse convivência. Houve aquele lance de interesse de um pela conversa do outro. Foi legal. Depois, cada um foi para seu lado e eu não a vejo desde então.
A outra pessoa é uma que eu nunca vi na minha vida, mas não deixa de ser legal. Estava eu quieto no meu canto, esperando o tempo passar para ir embora para casa, quando essa menina vem se despedir de mim e fala: "Tchau, Watson." Eu olhei com aquela minha cara de surpresa que ninguém mais vê e pergunto quem é ela. Ela me diz que eu não sabia quem ela era, mas ela sabia quem eu era. O que me deixou surpreso não é o fato de eu não conhecê-la, mas sim o fato de ela me conhecer. Foi até engraçado, visto que eu não estou acostumado com essas coisas.
Quando eu penso nessas coisas, até sinto vontade de sair de casa. Mas, quando eu olho para as pessoas que estão ali fora, me dá vontade de voltar. Não encontro alguém interessante com quem conversar há muito tempo. Mais precisamente um ano. Claro que existe pessoas interessantes por aí, mas, depois de passar um tempo com elas, a conversa cai na mesmice. E sair com as mesmas pessoas sempre enche o saco. Mas isso está mudando, ainda bem.
Preciso de coisas novas, paisagens novas, palavras novas, estilos novos. Durante a semana toda, eu vejo 90 pessoas por cinco dias seguidos que são extremamente chatas, babacas, idiotas e bitoladas. Parece que foram vítimas de uma lavagem cerebral coletiva. São formigas operárias que seguem o que é imposto e são felizes desse jeito. Sua condição é ditada pelo que eles têm na carteira e pelo que eles consomem. São mentes presas a uma forma de pensar imposta uns pelos outros e, talvez, mesmo tendo noção disso, não fazem nada para mudar. Eu me afastei de muitas pessoas que se encontravam nesse estado por fazer do tédio uma filosofia de vida.
Há algum tempo atrás, uma menina chamada Natália me adicionou à lista de amigos dela no orkut por fazermos parte de uma mesma comunidade. No começo, eu pensava comigo mesmo porque ela me adicionou. Eu ainda não descobri e procuro nem pensar. Mas o que foi legal disso tudo é que ela é uma pessoa extremamente interessante, diferente das pessoas que eu encontro por aqui.
Hoje, eu deveria ter feito uma coisa que eu não faço a muito tempo. Eu deveria ter tocado músicas. Mas, se for para ficar no "eu deveria", todos nós morremos contando histórias.
MilMo BR disse...
Ainda bem que eu não tou em Campo Grande ... ou você já me acha chato e babaca?
